sábado, outubro 01, 2005

"A Fraude"

No próximo dia 9 de Outubro os cidadãos eleitores de Soure, pelo menos os que decidirem participar neste arremedo de eleições autárquicas, vão escolher o próximo presidente da Câmara e os restantes membros dos órgãos autárquicos.
Dito assim até parece que estamos perante um processo normal em Democracia.
O que é facto é que não estamos!
Não estamos porque desde logo a lógica que está subjacente a este processo está desde o início subvertida:

Primeiro: porque o Partido Socialista embarcou num perigoso processo de autodestruição ao permitir que o PSD enchameasse as listas do "PS" de todos quantos ao longo de dezenas anos tiveram um discurso e uma prática contrária aos ideais do Partido Socialista e da Esquerda em geral. Ao embarcar nesta vergonhosa manobra palaciana o PS deu um significativo contributo para o desprestígio geral dos políticos, em especial e naturalmente, daqueles que se permitiram, sem qualquer ética ou escrúpulos, alinhar neste indignificante processo.

Segundo: O Dr. João Gouveia ao alinhar neste jogo, sabendo-se que dele não necessitaria para ganhar, prestou um péssimo serviço à Democracia, e em especial ao Poder Autárquico, colocando-o de cócoras perante os poderes centrais ao defender a lógica de que quem está com o poder mama, quem não está chucha no dedo. Nesta altura lembro-me de um autarca de Vila Nova de Paiva que perante a pressão para se vender foi à luta como independente e ganhou. É claro que o Dr. João Gouveia não é feito desta fibra. E não é, porque desde logo a sua única preocupação é assegurar o seu futuro económico, nem sequer o político porque não se acredita que Roma pague a traidores!

Terceiro: Não bastassem todas as fraudes e embustes que os sourenses se preparam para sancionar, soube-se esta semana da maior! Com efeito mesmo com a casaca virada os eleitores de Soure não vão eleger o Presidente de Câmara no próximo domingo, especialmente os que votarem João Gouveia! E não vão porque o que desde o início se desconfiava é agora certo: João Gouveia nunca será o próximo presidente da Câmara de Soure. Quem sabe se acossado pelas investigações da Policia Judiciária e incapaz de segurar o monstro que ele próprio criou (CMS) João Gouveia já tratou de pôr os paizinhos para a reforma e dará à sola logo que a mesma lhe seja concedida (Janeiro de 2006).

CONCLUSÃO – O que está em causa nestas eleições não é portanto, escolher entre Carlos Páscoa e João Gouveia mas entre CARLOS PÁSCOA e o Toninho Mota.
É este verdadeiramente o dilema que se coloca a Soure! Tudo o resto é folclore, desde João Gouveia a Manuela Ramos Pereira, insigne representante da ortodoxia Comunista reinante no PC!
Aos habituais votantes do PS resta ainda um outro, e não menos complicado, dilema. Onde estão os candidatos do PS? Analisadas as listas do PS-JG verifica-se que os militantes e simpatizantes PS que se deixaram envolver nesta alhada estão colocados em lugares de difícil eleição. Veja-se que para a CMS o primeiro elemento PS aparece em 5º lugar, ou seja em lugar de não eleição. Igual situação se verifica para a AM e Assembleias de Freguesia. Literalmente as listas do PS foram assaltadas por todos os oportunistas que ao longo dos últimos anos têm comido à mão de João Gouveia.
É de estranhar que existam militantes socialistas que tenham embarcado nesta vergonha! Se João Gouveia ganhar o PS será sempre o perdedor. Perderá quer nas políticas, que continuarão a ser a penalizadoras politicas par o desenvolvimento de João Gouveia. Mas perderá ainda na representação, porque quando João Gouveia abandonar a Câmara, se chegar a tomar posse, o PSD fará as pazes e os eleitos nas listas voltarão a defender o que sempre fizeram... votarão de novo PSD.
Chegados aqui resulta que estranhamente o PS só ganhará se João Gouveia perder! Isso só poderá acontecer se não votarem na fraude que ele representa ao tentar encapoçadamente impor-nos o Toninho Mota.

NOTA – Para justificar Há 12 anos, a sua mudança para o PSD, Carlos Agante vereador do PSD na actual legislatura, afirmou que andou 20 anos enganado ao votar PS. Agora vai de novo nas listas do PS/JG! Andamos a brincar com a dignidade senhores! Tenham vergonha...
Nas suas intervenções públicas João Gouveia culpava sistematicamente os GOVERNOS do PARTIDO SOCIALISTA e o mentecapto (palavra dele) Vítor Batista pelo atraso nas obras do Poder central em Soure. Agora quem vai ele culpar?

Talvez fosse altura de começar a culpar a sua própria incompetência...

Dia 9 escolhe bem! Entre Toninho Mota e Carlos Páscoa. Não há outra escolha...

segunda-feira, setembro 26, 2005

"Manifesto"

Em período de campanha eleitoral autárquica (em que nos enchem de promessas) e sem cair no habitual paradigma do impossível que é prometer sem explicar como se paga; aqui fica o meu manifesto eleitoral em 10 medidas, impondo a mim mesmo a condição de serem medidas sem custo ou de custo residual, para que o dinheiro não sirva de desculpa para a sua não realização:

Eu voto em quem prometer que:

1 – Termina com todas as avenças na CMS que não tragam mais-valias óbvias para a gestão municipal, e que é o caso de pessoas que todos reconhecemos.

2 – Termina com os apoios desproporcionais ao impacto social dos apoiados; a quem interessa os balúrdios que o Grupo Desportivo Sourense recebe de forma directa e indirecta? Aos sourenses não é de certeza, que agradeciam era que esse esforço fosse utilizado para diversificar a prática desportiva concelhia.

3 – Termina com idiotices e invenções avulsas que não são respostas sérias para os problemas. Quem encomendou esta proliferação de lombas de estrada por todo o concelho? Foram as oficinas? Se há reconhecidos hábitos de excesso de velocidade em alguns pontos usem-se os meios correctos: sinalização luminosa e acção fiscalizadora.

4 – Encerra as escolas em que se inventam alunos para poderem funcionar. Os sourenses são gente séria e responsável e devem estar prontos para a verdade e mudança; assim se apresentem modelos sérios de alternativas pedagógicas com mais valias para as próprias crianças: passar todo o primeiro ciclo acompanhado de 2 ou 3 colegas, prejudica o próprio aluno. Algum pai quer o pior para o seu filho? E algum cidadão quer que a CMS desperdice recursos a manter um parque escolar idiota?

5 – Publica e distribui anualmente por todas as casas um documento mais pedagógico do que extensamente técnico com as com as contas da CMS, e as suas opções estratégicas em matéria de investimento público, introduzindo transparência e programação na gestão da Câmara, ao mesmo tempo que informava os agentes económicos das suas opções.

6 – Promova a demolição da bancada em frente ao Castelo. A memória Sourense não tem que ser vilipendiada com aquele disparate.

7 – Introduza hábitos de participação pública na gestão municipal. Perguntar a opinião não custa dinheiro e promove a unidade e responsabilidade colectiva. Por exemplo: uma obra com a dimensão e o impacto da referida bancada não mereceria uma consulta institucional local, ou até mesmo um referendo? Provavelmente teria evitado o desperdício de recursos em algo que envergonha a maioria de nós.

8 – Defenda e reivindique em Lisboa um tratamento sério das gentes de Soure. A A1 atravessa o concelho e não temos um nó, o Gasoduto idem, e agora a A8…Basta! Não temos apenas que suportar as externalidades do desenvolvimento dos outros. O Presidente que mobilize os sourenses para as lutas que entender necessárias.

9 – Adopta uma conduta de comportamento público condizente com o estatuto que o cargo lhe confere. Os sourenses merecem um Presidente e Vereadores que sejam motivo de orgulho e referencial de boas maneiras.

10 – Me leve a sério…

Ass: Eu…e todos como eu!

“Dinossauros de Papel”

Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Isaltino Morais, João Gouveia...

"Pus-me a Pensar. Aqui havia um erro, um desvio qualquer. Os nossos intuitos eram bons, as nossas doutrinas pareciam certas, seriam errados os nossos processos?"

Fernando Pessoa in "O Banqueiro Anarquista".

Uma das premissas das funções e importância das autarquias locais, é que a democracia pluralista, com base em eleições livres e imparciais para os cargos autárquicos, é o sistema que melhor assegura os princípios da liberdade individual, do respeito pelos direitos humanos e da solidariedade colectiva.
A existência de autarquias locais devia ser, por si só, um factor de enriquecimento da democracia pluralista.
O bom funcionamento e sucesso das autarquias locais, como de qualquer outra instituição politica, depende, em boa parte, da qualidade dos representantes para elas eleitos.
É indubitável que as autarquias terão tanta mais facilidade de atrair candidatos de bom calibre quanto o exercício de funções autárquicas for considerado valorizante, de um ponto de vista social ou político.
Mas para que tal seja verdade, o próprio sistema eleitoral autárquico, tem que funcionar de modo a não impedir o aparecimento dos mais capazes, evitando perpetuar no lugar aqueles que se apegam em demasia ao poder, utilizando-o em proveito próprio. A limitação de mandatos seria uma forma saudável de dignificar a politica autárquica e evitar situações doentias (o poder é a doença que mais se apega).
Infelizmente, as situações em que os presidentes de Câmaras Municipais acumulam remunerações de cargos autárquicos com cargos de direcção de empresas municipais ou intermunicipais, metro do Porto e outras, são frequentes.
Retirando vantagem de dominar por dentro o sistema, estes "dinossauros" da politica vão-se sucessivamente recandidatando e cada mandato que passa é pior que o anterior.
Perdem a ética e a dignidade dos mandatos iniciais, criam comunhão de interesses dúbios, fazem da coerência dos princípios políticos tábua rasa, recandidatam-se nem que seja como independentes e contra os partidos que inicialmente os acolheram, enfim, tudo serve para se perpetuarem no cargo.
Como consequência, cada vez temos menos políticos de valor, cada vez mais o cidadão comum está mais descrente, cada vez mais os índices de abstenção são maiores. Coloca-se em causa o próprio funcionamento da própria democracia.
Mas que paí­s é este que tem como candidatos a Presidentes de Câmara, cidadãos com processos judiciais a correr em tribunais, foragidos à justiça?
Que paí­s é este em que Presidentes de Concelhias do PSD se candidatam pelo partido que estiver no poder, para se perpetuarem no cargo, ou, sabe-se lá, para daí conseguirem protecção que funcione como "lavagem" de actos cometidos em outros mandatos?
E que Partido Socialista, com responsabilidades acrescidas por ser o partido no poder, é este que aceita como candidato o Presidente da Comissão Politica do PSD, apenas em nome de resultados imediatos? Onde estão os valores, a ética e a moral?
Decididamente que, com este rumo, os Isaltinos, Felgueiras, Avelinos, Valentins e Gouveias, só podem multiplicar-se.
Depois queixam-se que a abstenção cresce. Pudera!
Definitivamente, não me reconheço neste Portugal.
É contra este estado de coisas que devemos votar nas próximas eleições autárquicas.
Como dizia Mário Soares,

Todos temos direito à indignação!!!